quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O ESCRITOR

Fazia quase 2 meses que Gabriel não criava nada, estava sendo pressionado pela editora para que criasse mais um de seus famosos livros de ficção e fantasia, porem,  ele ficava sentado em sua escrivaninha com a caneta na mão e olhando para aquela maldita folha em branco e não surgia nada em sua mente.

Tinha alugado um quarto em uma pousada em uma cidadezinha do litoral chamada Anhambaçai a fim de se concentrar em suas histórias mas não lhe surgiu nem uma virgula de inspiração.

Gabriel então se levanta, olha para fora da janela, vê crianças brincando na praça que tem em frente da pousada, olha para os pássaros e quando dá por si ele percebe que já anoiteceu, era como se ele tivesse ficado por horas ali, parado mas parecia que só havia passado alguns minutos.

-Droga, tenho de voltar a escrever.

Então ele senta em sua cadeira e começa a escrever, mas logo desiste, a inspiração lhe deixou e o bloqueio criativo se amarra em sua mente como um parasita sugando todo pensamento criativo que ele possa ter.

Então ele começa a olhar em volta, olha para o relógio que marca 19:01, olha para sua cama, para o teto, a porta do banheiro, ele ouve as gotas que caem incessantemente da torneira, olha para o papel, a canete e finalmente olha para o relógio e percebe que já são 19:58 e ele não havia feito nada.

Ele então decide ficar focado, ele fecha os olhos e começa a tentar formar imagens mas tudo que surge é um grande vazio, Uma escuridão abissal ele mal conseguia pensar direito. Gabriel abre os olhos e e fala: - Preciso me acalmar! Que droga esta acontecendo comigo?

Então novamente ele tentava criar, mas as palavras e as ideias lhe fugiam.
Foi quando percebeu que a sua própria existência ia sumindo,  primeiro sua mão direita e lentamente o seu corpo ia desaparecendo. Ele gritaria mas o nada dominou não só sua voz mas também seus pensamentos até que naquele quarto só se encontrava a cama, a escrivaninha, uma caneta e uma folha papel completamente em branco.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Parede

Ao acordar Fernando não sabia o que estava acontecendo.
Estava escuro, apertado e por algum motivo sua boca estava colada, mal dava para se mexer ou respirar, ele tentava levantar os braços mas o espaço minusculo não o deixava.

" Oque esta havendo? Onde estou?"- Pensou Fernando

Tentando raciocinar e a ultima coisa de que se lembrava era estar em um bar bebendo e depois um grande borrão, sua cabeça latejava com a ressaca e percebeu que mais uma vez ficou bêbado demais para lembrar de seu dia, suas amarguras e tristezas.

"Tenho de sair daqui."- Ele faz força para tentar se soltar mas é inútil, esta preso entre duas paredes mais ou menos 30 centímetros de uma para a outra entre elas o pobre Fernando.

Então ele houve ao fundo vozes, não consegue ouvir direito, o som é abafado pela parede de concreto.

Fernando então faz força para abrir a boca e isso o machuca, os lábios colados, ele gostaria de encontrar quem foi o maldito que fez isso com ele e dar-lhe uma boa lição.

Ele faz alguns grunhidos, como se tentasse gritar, mas em vão, ele sente a garganta seca, o calor insuportável, o ar saturado e a poeira faz seu nariz coçar. Em um espirro involuntário a força faz com que uma parte dos lábios se rasguem, a pele pendurada indo da direita para esquerda e a carne amostra, seus lábios ardem e ele solta um gemido de dor, o sangue lhe escorre na boca, desce pelo queixo e cai pela camisa e ele tenta gritar, mas mesmo assim ninguém o escuta. "As paredes devem ser muito grossas."- ele pensa- E a dor faz com que ele logo desista.

Passam-se horas, Fernando com sede e o sangue seco na boca, agora esta chorando.

"Por favor Deus! Me ajude!"

Depois de alguns dias Fernando esta severamente desidratado, sua mente esta em frangalhos depois de varias tentativas de sair dali ou gritar, a sua garganta seca só emite um pequeno som agudo mas nada alto o suficiente para ser ouvido, seus braços machucados das tentativas frustradas de tentar se mexer e o ar fede a seus próprios excrementos. Fernando esta fraco e sente sono, ele fecha as pálpebras, lentamente e não as abre mais.

Depois de alguns dias, qual não foi a surpresa de um jovem casal que alugara uma casa para começar uma vida juntos que o cheiro horrível que sentiam não era de esgoto, mas sim, da parede da sala onde encontraram o corpo de Fernando em estado de putrefação.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Carnaval dos mortos


Carnaval é festa! Carnaval é alegria

E se enganou quem disse “Só não vai quem já morreu”

Esse é o carnaval dos mortos e aqui é só diversão

Para que se preocupar com o amanhã se o hoje é o que importa?

Nessa folia, dependurado entre uma corda era um homem triste e agora um feliz folião

Venha para cá! Para que se preocupar?

O que vale é a festa e para que essa alegria de viver?

Morrer não é o fim venha até mim.

Você bebeu demais, fez festa demais pegou o carro e acelerou demais.

Cheiro de bebida, o vento batendo no para-brisa e de repente um grande estrondo.

E logo descobriu que a festa não acabou.

Seja bem vindo você que já morreu, aqui é o carnaval dos mortos, venha festejar com a gente.

Venha você que não pensou no amanhã

Venha você agora!


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