quinta-feira, 13 de julho de 2017

A Parede

Ao acordar Fernando não sabia o que estava acontecendo.
Estava escuro, apertado e por algum motivo sua boca estava colada, mal dava para se mexer ou respirar, ele tentava levantar os braços mas o espaço minusculo não o deixava.

" Oque esta havendo? Onde estou?"- Pensou Fernando

Tentando raciocinar e a ultima coisa de que se lembrava era estar em um bar bebendo e depois um grande borrão, sua cabeça latejava com a ressaca e percebeu que mais uma vez ficou bêbado demais para lembrar de seu dia, suas amarguras e tristezas.

"Tenho de sair daqui."- Ele faz força para tentar se soltar mas é inútil, esta preso entre duas paredes mais ou menos 30 centímetros de uma para a outra entre elas o pobre Fernando.

Então ele houve ao fundo vozes, não consegue ouvir direito, o som é abafado pela parede de concreto.

Fernando então faz força para abrir a boca e isso o machuca, os lábios colados, ele gostaria de encontrar quem foi o maldito que fez isso com ele e dar-lhe uma boa lição.

Ele faz alguns grunhidos, como se tentasse gritar, mas em vão, ele sente a garganta seca, o calor insuportável, o ar saturado e a poeira faz seu nariz coçar. Em um espirro involuntário a força faz com que uma parte dos lábios se rasguem, a pele pendurada indo da direita para esquerda e a carne amostra, seus lábios ardem e ele solta um gemido de dor, o sangue lhe escorre na boca, desce pelo queixo e cai pela camisa e ele tenta gritar, mas mesmo assim ninguém o escuta. "As paredes devem ser muito grossas."- ele pensa- E a dor faz com que ele logo desista.

Passam-se horas, Fernando com sede e o sangue seco na boca, agora esta chorando.

"Por favor Deus! Me ajude!"

Depois de alguns dias Fernando esta severamente desidratado, sua mente esta em frangalhos depois de varias tentativas de sair dali ou gritar, a sua garganta seca só emite um pequeno som agudo mas nada alto o suficiente para ser ouvido, seus braços machucados das tentativas frustradas de tentar se mexer e o ar fede a seus próprios excrementos. Fernando esta fraco e sente sono, ele fecha as pálpebras, lentamente e não as abre mais.

Depois de alguns dias, qual não foi a surpresa de um jovem casal que alugara uma casa para começar uma vida juntos que o cheiro horrível que sentiam não era de esgoto, mas sim, da parede da sala onde encontraram o corpo de Fernando em estado de putrefação.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Carnaval dos mortos


Carnaval é festa! Carnaval é alegria

E se enganou quem disse “Só não vai quem já morreu”

Esse é o carnaval dos mortos e aqui é só diversão

Para que se preocupar com o amanhã se o hoje é o que importa?

Nessa folia, dependurado entre uma corda era um homem triste e agora um feliz folião

Venha para cá! Para que se preocupar?

O que vale é a festa e para que essa alegria de viver?

Morrer não é o fim venha até mim.

Você bebeu demais, fez festa demais pegou o carro e acelerou demais.

Cheiro de bebida, o vento batendo no para-brisa e de repente um grande estrondo.

E logo descobriu que a festa não acabou.

Seja bem vindo você que já morreu, aqui é o carnaval dos mortos, venha festejar com a gente.

Venha você que não pensou no amanhã

Venha você agora!


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